Amelia 2016 Vs White Bones 2012 na Confronteira.

Recentemente degustamos um Concha y Toro Amelia 2016 e um Catena White Bones 2012. O tema era Chardonnay e tive a sorte de poder colocar, lado a lado, dois dos melhores Chardonnays da América do Sul.

Fazia uns 10 anos ou mais que não provava o Amelia. Assim, apesar da vaga lembrança de ser um excelente vinho, pouca coisa das impressões gustativas eu ainda podia recordar. 
Já o White Bones eu degustei há alguns meses a safra 2009 e suas impressões estavam ainda bem vivas.

Sendo assim, vinho na temperatura correta, taças ISO e lado a lado estavam dois vinhos ícones da América do Sul.

O Amelia vem de Casablanca, um clima mais frio e com forte influência do pacífico. 9 meses em barrica nova e uma tradição de excelente Chardonnay desde sua primeira safra em 1993. Antigamente era um vinho mais denso e marcado pela barrica nova, bem ao estilo californiano de outrora. Confesso, porém, que nesta safra de 2016, o vinho está elegante, austero e cítrico, com notas de limão taiti e alecrim. A barrica nova está presente e se sente no paladar, mas não domina o conjunto como antigamente. Na verdade complementa a estrutura do vinho que ganha em volume de boca e complexidade. Alguma mineralidade é perceptível, o que é raro para um vinho sul americano. Suas notas salitres e de calcário moído são destacáveis. Ótima acidez e um ligeiro amargor "metálico" terminam por finalizar as impressões do vinho.
No geral eu o considero excelente (nota 92/93) e o compraria novamente sem pestanejar. Destaque para a safra 2013 onde este vinho foi eleito o melhor branco do Chile no concurso Annual Wines of Chile Awards - AWOCA, um dos mais importantes de lá.
É importado pela Concha y Toro a R$ 319,00.

O White Bones é menos alcoólico (13% contra 14%) e mais ácido em tartárico absoluto (algo entre 8,7 grs/l contra 8,3 grs/l), além de ter mais tempo em barricas (várias idades, entre 12/16 meses).
Vem de Gualtallary e integra a linha icônica da Catena atualmente, com preços elevadíssimos para seus vinhos e altas pontuações da imprensa especializada.
O nariz encanta de imediato. É impossível sentir o aroma desse vinho e não se impressionar positivamente. As notas de sálvia, marcela, mel e limão taiti são incríveis. Além de ser um aroma muito expressivo e intenso. Nele a barrica nova não se nota tanto.
Já em boca ele perde para o Amelia. Não tem a mesma acidez; não é tão incisivo e austero. É mais linear, não tem aquela pegada sápida dos grandes Chardonnays. Mesmo assim tem ótimo volume de boca e é extremamente saboroso e agradável de se beber.
Sem dúvidas é um grande vinho e tem seu ponto alto no aspecto olfativo, que é único e inigualável.
Acredito que a diferença de idade tenha pesado um pouco, pois o ideal seria prová-los com a mesma idade.
Nesta safra recebeu 95 pontos de Parker, 90 da Wine Spectator e 89 da Wine Enthusist. Eu lhe concedo 90/91 e o descrevo com um excelente e exótico Chardonnay, muito diferente do que estamos acostumados por aqui.
É importado pela Mistral a R$ 686,56.





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